Trabalharam até ao final do dia com salários e direitos em atraso. O patrão chegou para encerrar a fábrica e ainda lhes roubou 15 minutos para entregar os papeis do despedimento. "Está tudo legal, foi tratado pela Internet". Seguem para o centro de emprego, sem o salário do mês nem as indemnizações pelos anos de devoção à casa, que isso são contas de outro rosário. As carrinhas andam num vai e vem, cheias de calçado e máquinas com destino a outra empresa, impunemente. 35 anos depois, Abril desfaz-se assim.
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