28.4.06

Bairrada


O coração da Bairrada já tem quase tudo o que é necessário para ser um dos principais destinos turísticos do País.
Só que o leitão assado, o vinho espumante, as termas e o golfe podem não bastar para alcançar a afirmação desejada.
É preciso travar a descaracterização urbana, preservar o património natural e histórico e criar novas ofertas culturais.
E não se tem visto um esforço a estes níveis, pelo contrário.
Assim, a Bairrada continuará a ser apenas um ponto de passagem.
[foto: adega Campolargo, Anadia]

27.4.06

Câmara

A maioria camarária em Aveiro começa a tomar decisões. E a assumir o caminho que pretende trilhar. É um bom sinal. Por um lado, retoma um projecto no âmbito do Polis que é do manifesto interesse vingar. Mais questionável será pedir a auditoria externa quando a Inspecção-Geral das Finanças anda por cá. Nesta decisão pesaram mais motivos políticos e partidários. Vejamos que surpresas os auditores nos vão reservar.

25.4.06

Abril


Abril é do povo.
Em Ovar, comemora-se a Revolução dos Cravos com o lançamento de habitação social. Em Estarreja, a autarquia organiza uma caminhada e concertos de música. No concelho de Albergaria-A-Velha, a Assembleia Municipal entende assinalar o 32º aniversário do movimento dos capitães com uma sessão solene. Assim como em Águeda, que tem muitas actividades culturais ao longo do dia.
Aveiro, que Jorge Sampaio apelidou de "Pátria da Liberdade", fica, mais uma vez, envergonhadamente à margem. É estranho.
[foto: postal de Vieira da Silva]

24.4.06

Câmara / Beira-Mar

Formalmente, a Câmara não se fez representar no jogo de domingo passado entre o Beira-Mar e o Olhanense.
Tudo indica que foi uma posição assumida previamente, depois das críticas que o presidente do clube dirigiu à Câmara em geral e ao vereador das Finanças em particular.
E poderá não haver reconciliação a tempo da festa oficial, marcada para o próximo domingo, também em Aveiro.
Dois vereadores, ambos do CDS/PP, acabaram, no entanto, por estar no momento da subida à primeira Liga do Beira-Mar. Miguel Capão Filipe enquanto dirigente do clube e Jorge Greno nas funções de presidente da administração da EMA, a empresa do estádio.
O presidente Élio Maia e os vereadores Carlos Santos e Pedro Ferreira (ambos do PSD) viram a bola, talvez, pela televisão.
O assunto passou ao lado da reunião pública da Câmara de Aveiro. O PS entendeu não abordar a controvérsia, o que poderá reflectir já uma abordagem diferente do que tem sido a oposição nos últimos meses, por força da entrada em funções da nova concelhia.
E não seria a coligação a levantar ondas por causa do relacionamento Beira-Mar / Câmara que pode ter deixado algumas marcas.
Os vereadores do CDS/PP bem tentaram espalhar sorrisos e graças, como que querendo animar o ambiente com restos da boa disposição do dia anterior, mas não contagiaram os restantes parceiros em dia bem mais reservado.

23.4.06

Beira-Mar de primeira


A duas jornadas do fim do campeonato da Liga de Honra o Beira-Mar atingiu o objectivo principal da época. O regresso à Liga principal era vital para o futuro do clube. A direcção venceu a aposta depois de um grande esforço financeiro.
Em termos desportivos, está a ser uma época de excepção, pela positiva. O Beira-Mar teve uma grande regularidade e foi melhor que todas as outras equipas. É certo que, não fossem alguns resultados menos satisfatórios, poderia ter sido uma 'colheita' verdadeiramente histórica.
Na próxima época, haverá, certamente, menos ocasiões para festejar vitórias. E já será muito bom fugir aos lugares de despromoção para estabilizar.
Como não há bela sem senão, os festejos da subida acabaram por ter alguns travos amargos, com o vice-presidente José Cachide a causar a grande surpresa da tarde quando anunciou que pretende afastar-se da direcção invocando motivos profissionais. Resta saber se será apenas isso e não discordâncias no seio da direcção.
A ausência, confirmada, do presidente da Câmara, Élio Maia, também mostrou que o relacionamento com o clube está tremido por causa, mais uma vez, dos dinheiros da exploração do estádio que motivaram duras críticas do líder do Beira-Mar ao vereador das Finanças, eleito na coligação pelo PSD.
Outros VIPS fizeram questão de participar na festa. Foi o caso de Paulo Portas, deputado do CDS/PP e ex-líder do partido. E de Alberto Souto, antigo presidente da Câmara.

21.4.06

Inácio

Já ouvi por duas vezes nos últimos dias Augusto Inácio na Rádio Renascença.
Não, o treinador do Beira-Mar não quebrou o black-out! É que tem falado mas... sobre o Sporting.

20.4.06

Polémica no PS/Distrital

A polémica nas eleições para a Federação do PS de Aveiro foi sendo alimentada em 'lume brando' durante a campanha interna com alguns (poucos) remoques mas nada, pelo menos publicamente, de extraordinário.
Até que esta quinta-feira, a candidatura de Costa Amorim lançou a confusão ao anunciar a retirada de cena disparando acusações em vários sentidos.
Sucederam-se os comunicados. E sexta-feira à tarde o candidato da Lista B promete dizer mais na primeira pessoa.
Afonso Candal tem, assim, o caminho livre para, à segunda tentativa, ser o próximo presidente da Federação mas, certamente, não quereria ver a vitória ensombrada desta forma.

18.4.06

Repete-se a história


"Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".
O dito popular é infalível e ajuda a explicar a insatisfação do presidente do Beira-Mar com os atrasos na transferência de verbas da EMA.
Artur Filipe provou, afinal, que a história repete-se.
E se o antecessor Mano Nunes culpava o ex-director geral da EMA Miguel Lemos, o actual presidente já terá identificado o vereador Pedro Ferreira, que tem o pelouro das finanças, como "o miúdo" que está a "entravar" o acerto de contas.
Élio Maia no início do mandato avisou logo que seria preciso conversar melhor com o clube mas o vereador Jorge Greno descansou as hostes beiramarenses. O problema é que dinheiro, para já, nem vê-lo.
As declarações intempestivas de Artur Filipe podem causar ricochete na Câmara e atingir politicamente a coligação PSD-CDS/PP que não será à prova de bala.
A direcção do Beira-Mar tem elementos muito próximos do CDS/PP, sendo um dos vice-presidentes o vereador Miguel Capão Filipe. Já Jorge Greno abdicou das funções no clube depois de integrar a equipa da autarquia.
O PSD poderá não gostar nada de ver um dos seus dois vereadores com mais desgaste novamente sob mira de críticas e ainda por cima vindas de meios próximos dos parceiros na Câmara.
O Beira-Mar parece querer cobrar as facturas em atraso numa altura em que os adeptos estão já a festejar a subida.
Veremos até que ponto o árbitro Élio Maia aguenta a pressão e encontra uma forma airosa de satisfazer os direitos (?) do clube.
Para já, tem-se mantido abrigado das críticas do Beira-Mar mas poderá ser forçado a entrar em campo a qualquer momento.

17.4.06

Confusão citadina

É preciso fazer qualquer coisa na zona histórica da cidade.
Não bastava já o mau aspecto deixado com a demolição da antiga sapataria Loureiro na praça Melo Freitas, ao lado da loja da Barrica. Agora há mesmo quem se atreva a estacionar lá, aproveitando o pequeno arranjo!
As obras no canal tornaram, por outro lado, mais difícil circular e estacionar entre a ponte praça e o Rossio.
Durante a quadra pascal, como é hábito, a presença de autocarros ainda complicou mais.
Isto com parques (ponte de S. João e canal S. Roque) a distância aceitável para fazer a pé.
Não há civismo, nem a polícia parece andar atenta.
A sala de visitas da cidade merece mais.

9.4.06

Acordo Câmara /HM

Este acordo pode ter as melhores intenções, as pessoas que nele participam são respeitáveis mas a forma como surge aos olhos da opinião pública coloca algumas questões.
Tudo leva a crer que foi mais uma imprudência que a maioria PSD-CDS/PP cometeu à frente da Câmara de Aveiro. E a apresentação pública até teve algo de rocambolesco.
Humberto Martinho colaborou na elaboração do programa eleitoral da coligação "Juntos Por Aveiro". Não há nenhum mal nisso.
No semanário O AVEIRO de 10 de Novembro de 2005, num artigo sobre a sua actividade profissional enquanto consultor e gestor, não escondeu, de resto, o apoio ao projecto de Élio Maia. Assumiu-o como um contributo cívico e político.
As partes deveriam ter tido em conta justamente essa colaboração para evitar amargos de boca que possam surgir.

7.4.06

Artesanato


A associação de artesãos A Barrica terá muito a ganhar se conseguir concretizar um interessante projecto que apresentou ao IEFP.
A candidatura prevê iniciativas simples mas que poderão revelar-se importantes para ajudar a viabilizar uma actividade que enfrenta sempre muitas dificuldades no que diz respeito a comercialização.
Vender é a melhor forma de garantir o trabalho artesanal nas mais diversas artes e ofícios.

5.4.06

Ministro da Justiça

O ministro Alberto Costa subiu na minha consideração. No périplo que dedicou ao distrito de Aveiro, não foi a tribunais exemplares nem a serviços com boa fama de atendimento. Esteve no Tribunal de Águeda, um dos mais "entupidos" da região e passou pela Conservatória do Registo Predial e Comercial de Aveiro que tantas dores de cabeça dá a quem lá passa. Embora agora aparente melhorias evidentes no atendimento, sobretudo na parte predial. Foi também ao antigo colégio Alberto Souto, actual Centro Educativo, onde há muitas dificuldades para garantir condições aceitáveis de acompanhamento dos jovens que ali passam os dias à guarda do Instituto de Reinserção Social.
O ministro nunca se furtou às perguntas dos jornalistas, mesmo as mais incómodas suscitadas por acontecimentos em torno da PJ e da imposição da 'lei da rolha' a funcionários judiciais.
Só borrou a pintura ao apresentar com pompa e circunstância na Universidade de Aveiro o apelidado "novo" modelo de gestão financeira dos tribunais que já tinha sido anunciado há meses...
Uma tentativa de 'baralhar e voltar a dar' que manifestamente era escusada.
Para Aveiro deixou ainda o compromisso de instalar até ao final do ano o juízo do Tribunal Tributário. O 'doce' sabe a pouco mas sempre é melhor que nada.

4.4.06

Maus exemplos

O Programa Nacional de Juventude organiza hoje em Aveiro um colóquio sobre "Criação e Inovação". A lista de participantes vale bem a pena passar pelo auditório da reitoria da Universidade de Aveiro.
A cerimónia de abertura é que não foi um bom exemplo para os muitos jovens presentes.
As individualidades demoraram-se na sala dos "convidados" e sessão de abertura começou com um atraso de três quartos de hora.
Não foi preciso tanto para as palavras de circunstância. E depois a comitiva lá voltou à sala "vip" para mais cafezinho e bolinhos.
Para os jornalistas, imponha-se ouvir o secretário de Estado da Juventude e Desporto mas sobre a controvérsia da pista de remo. O assessor de imprensa de Laurentino Dias sabia disso só que atreveu-se a meter "uma cunha" para o governante ser entrevistado também sobre Programa Nacional da Juventude. OK, estava a fazer o seu papel.
Antes, Élio Maia evitou abordar as incertezas em torno do financiamento da pista mas incentivou os elementos da comunicação social para "apertarem" o secretário de Estado.
Era evidente que os jornalistas estavam ali para questionar Laurentino Dias sobre a pista, mas meramente por interesse jornalístico e não com outros fins, por mais louváveis que sejam.
É essa a nossa função.

2.4.06

Beira-Mar

O Beira-Mar quebrou a 'malapata' frente ao Chaves.
A equipa de Aveiro não deu facilidades ao adversário e marcou dois golos de 'raiva'.
Depois de uma série longa de empates, o Beira-Mar mostrou estofo de campeão. A próxima final é já domingo.

1.4.06

Raul Martins

Raul Martins é o novo presidente do PS de Aveiro. A eleição não teve surpresa, mesmo para os derrotados que antes do apuramento final já perspectivavam o resultado alcançado.
O novo timoneiro da concelhia é um veterano das andanças partidárias e políticas. O desafio que tem pela frente é grande.
Não é de prever que a lista opositora na corrida à liderança do PS vá criar problemas internos. Mas quando chegar a hora de decisões importantes, junto às próximas eleições autárquicas, poderá ser mais difícil.
Marques Pereira perdeu a votação para a concelhia mas ao concorrer ganhou espaço para o seu grupo de apoiantes vir a ter um papel que poderá decisivo.
Alberto Souto, ex-presidente da Câmara, também foi votar. E teve alguns motivos para sorrir. Pelas mesmas razões do seu ex-adjunto.

31.3.06

Certificação florestal

Portugal é um País de floresta. Muito mal tratada, em grande parte, com todas as implicações económicas e ambientais (fogos) que isso tem.
A certificação da madeira poderá ajudar a mudar o panorama. Alguns produtores florestais da região parecem interessados em avançar.
Os consumidores também devem ter uma palavra a dizer. Reconhecendo quem faz um esforço para aplicar regras de boas práticas. Mesmo que saia mais caro.

PS Aveiro

A campanha para as eleições na concelhia do PS foi muito cordial, ao ponto da comunicação social quase não ir para além de um ou outro apontamento de agenda.
Nos últimos dias, terá aquecido um pouco mais a discussão mas nem por isso os candidatos se decidirem a "abrir fogo" um sobre o outro.
Afinal, vão ser obrigados a entendimentos depois da corrida.
As listas reflectem duas famílias socialistas: uma mais tradicionalista, que esteve afastada enquanto Alberto Souto teve a presidência da Câmara; enquanto a outra é formada por alguns dos que mais directamente trabalharam com o ex-autarca e deram corpo a uma certa renovação no partido.

30.3.06

James Nachtwey

"I have been a witness, and these pictures are my testimony. The events I have recorded should
not be forgotten and must not be repeated." É o que se lê na abertura do site de James Nachtwey que está por estes dias, com outros reputados fotojornalistas, em Portugal.

29.3.06

Canadá


Por fortes razões familiares, o Canadá é a minha segunda pátria.
As coisas estão a mudar neste (até agora) "friendly country".
Fico triste com a mão pesada das autoridades canadianas em relação à emigração dita ilegal. É estranho usar este argumento, quando a maioria dos cidadãos portugueses estavam a trabalhar e inseridos normalmente na sociedade.
O Canadá era tradicionalmente premissívo em acolher emigrantes.
Os portugueses que ali rumaram, sobretudo a partir dos anos 70, chegavam "com uma mão à frente e outra atrás".
Instalaram-se e encontraram trabalho. Depois, ao abrigo das facilidades legais, mandavam "cartas" a chamar a família directa.
E durante muito tempo não eram colocados grandes entraves. Quando lá voltei (11 anos depois de ter vindo para entrar na primeira classe em Portugal), mesmo não sendo cidadão canadiano, carimbaram-me o passaporte simplesmente com a palavra "regresso"e sem nenhuma pergunta incómoda.
Sempre que emigrantes voltavam ao País de origem, o Canadá era apresentado como "um mundo perfeito". Trabalho bem pago, bom ensino, uma segurança social atenta. A anos luz do Portugal que deixaram para ter uma vida melhor.