18.10.06

Scut, Agrovouga e EDV

Um ano depois de ter sido uma estrelas da noite eleitoral autárquica, com direito a televisões e rádios nacionais, Élio Maia voltou a aparecer em destaque nas notícias do País.
À boleia das Scut
, o autarca de Aveiro como que 'saiu da toca' e fez ouvir a sua voz grave. Foi o primeiro da região a ser procurado pelas rádios.
Conteúdo à parte, na forma não esteve mal a comentar a medida governamental.
Fazia-lhe bem, aliás, aparecer mais como o primeiro protagonista da vida autárquica concelhia que é.

Já era tempo da organização da Agrovouga e a Associação de Lavoura do Distrito de Aveiro entenderem-se.
A manifestação que os agricultores organizam anualmente à porta do certame é um filme gasto.
Depois, também fica mal ter de desviar a presença de governantes na inauguração só para evitar o protesto.

O Entre Douro e Vouga (EDV) mostra a sua força por estes dias no Europarque.
Actualmente, deverá ser mesmo o principal motor industrial do distrito.
Vive-se bem em Aveiro, come-se melhor na Bairrada mas no mundo do trabalho é o Norte que dá cartas.

17.10.06

Protagonistas

Ribau Esteves tem sido um dos rostos da Associação Nacional dos Municípios Portugueses na contestação à reforma das finanças locais.
O autarca de Ílhavo já tinha surgido num debate da SIC Notícias e ontem esteve nos "Prós e Contras" da RTP, ao lado do presidente da ANMP, Fernando Ruas, a dirimir argumentos com o ministro António Costa.
Estará Ribau Esteves a abrir caminho para outros voos, uma vez que já deixou a entender que voltará a ser candidato em Ílhavo ?

Pode um presidente de Junta assumir funções no gabinete do presidente da Câmara ? O assunto tem sido motivo de polémica em Vagos.
A lei, pelo que garante a maioria PSD, não estabelece incompatibilidades a este nível.
Rui Cruz decidiu, por isso, manter na sua equipa o presidente da Junta de Sosa (chefe de gabinete) e a presidente de Santo André (adjunta).
Pode ser legal mas não deixa de ser, no mínimo, estranho.

14.10.06

Crises

O ministro da Economia andava mortinho. Há uns dias, em Estarreja, disse-o de uma forma mais velada na presença do Primeiro-Ministro.
Esta sexta-feira deixou-se contagiar pelos anúncios de investimentos em Aveiro e resolveu decretar o fim da crise. Manuel Pinho, ao fim do dia, já explicou que não era bem aquilo que queria dizer...

A caminho de uma crise poderá estar o Beira-Mar que somou a terceira derrota consecutiva na abertura da sexta jornada da Liga de futebol.
Augusto Inácio não encontra táctica que faça a equipa marcar golos e não sofrer com tanta facilidade na sua baliza.
Jardel, em dois lances, com um pouco mais de felicidade, até poderia ter sido o herói do jogo frente a um Braga que, mesmo em gestão de esforço, mostrou ser uma equipa já de outros campeonatos.
Mas o futebol é mesmo assim e o resultado apaga o que de positivo os aveirenses até possam ter feito.
Não vai ser fácil a época.

11.10.06

Auditoria

O presidente da Câmara tocou muito ao de leve na auditoria da IGF. E terá sido a única excepção ao que o próprio decidiu assumir, e agora reafirmar, sobre tal assunto.
O problema é que não teve, ou não quis ter, mão em alguns dos seus apoiantes do PSD que não resistiram à tentação de usar o relatório preliminar como arma de arremesso político.
O vice-presidente envolveu-se numa polémica com o PS a propósito dos números da dívida e um vogal 'laranja' chegou ao ponto de ter publicado em fascículos algumas considerações mais críticas para a anterior Câmara. Abriram, por assim dizer, a caixa de pandora.
É curioso que nesta questão das dívidas / situação financeira apenas o CDS esteja a assumir uma postura de contenção política, não desautorizando o presidente.

10.10.06

Oposição

O PS insiste que é tempo da maioria camarária governar sem atirar com a pesada herança para justificar os problemas que vai enfrentando. Pode ter a sua razão. Só que a oposição também revela dificuldades em libertar-se do passado recente quanto estava no poder.
Um ano depois da derrota eleitoral, seria útil para a discussão política aveirense que os socialistas apresentassem algumas ideias novas. As alternativas não deveriam ser apenas conhecidas nos momentos próximos das eleições.

5.10.06

Traições

Já assisti, numa Assembleia Municipal de um concelho da região, à intervenção de um cidadão a acusar, olhos nos olhos, um antigo presidente de Câmara de ter viajado para o estrangeiro, numa visita oficial, com a sua esposa.
Deve ter sido o momento mais confrangedor que presenciei nas lides jornalísticas.
O caso Manuel Prior / Raul Martins que agitou a Assembleia Municipal de Aveiro não tem contornos pessoais tão sensíveis.
Mas para muitas vozes do CDS, o que o vogal social democrata fez é uma traição sem desculpa.
O CDS também já terá causado mal estar junto do PSD aquando do episódio das críticas do presidente do Beira-Mar ao vereador Pedro Ferreira, quando o vereador Miguel Capão Filipe ainda estava na direcção do clube.
Para já, os parceiros da coligação ficam quites.

3.10.06

Câmara

Élio Maia abriu o coração à Assembleia Municipal.
O presidente gosta de dizer que é um corredor de maratona e abomina decisões a quente.
Afinal, o mandato é de quatro anos e a pressa pode não ser boa conselheira.
Praticamente esgotados os primeiros 12 meses, os temas da discussão autárquica local são os mesmos.
Continua a falar-se, muito, da dívida, agora a pretexto da auditoria da Finanças.
O plano de saneamento financeiro também é recorrente, mas com as medidas ainda no segredo dos deuses.
Algumas obras e projectos, por força de compromissos eleitorais, foram travados.
Outros mais consensuais remexidos.
De novo, ao fim destes meses, o que temos além de um novo estilo presidencial ?
Élio Maia continua a pedir tempo, não altera os compromissos e dá garantias de ter trunfos.
Tem mais três anos. É um instantinho para as próximas eleições, às quais, de resto, já apresentou a candidatura para ser avaliado.

30.9.06

Rio

Um é economista. O outro filósofo.
Um é presidente de Câmara e militante do PSD. O outro é presidente de Câmara sem filiação partidária à frente de uma coligação de direita.
Para além de ambos serem autarcas, o que têm Rui Rio e Élio Maia em comum ?
Ulisses Manuel, líder da concelhia do PSD, apontou mais semelhanças no lançamento do debate que trouxe a Aveiro o antigo secretário-geral do partido.
Ambos não se conformaram com as pesadas heranças que assumiram quando eleitos. Sucederam a socialistas. E são muito pouco preocupados com a opinião publicada e mais interessados nos cidadãos.
Recebido como um guru pelo PSD de Aveiro, o controverso presidente da Câmara do Porto deu uma lição de como gerir um município.
O edil disse que é preciso resistir à tentação de fazer promessas eleitoriais impossíveis de cumprir e enfrentar os poderes instalados, lembrando a guerra que trava com interesses imobiliários.
Resta saber se estas e outras 'leis' de Rio vão ser aplicadas à beira ria.

27.9.06

UA

“Temo que estejamos perto da ruptura”, avisou a reitora da UA na abertura solene de mais um ano lectivo. Bem me parecia que tinha já ouvido algo semelhante.

Aveiro | 27-MAI-2006 13:31
Helena Nazaré não deixou de lembrar que "a falta de investimento desde o ano 2000" está a causar problemas graves +

Aveiro | 06-OUT-2004 17:44
Governo trava acesso das universidades a saldos de gestão. A medida, que o Ministério das Finanças aplicou em nome do equilíbrio financeiro, desagradou à reitora da Universidade de Aveiro (UA) +

Aveiro | 29-MAI-2004 16:51
A Universidade de Aveiro (UA) tem acautelado a "significativa diminuição" de fundos públicos gerando novas receitas através de contratos de investigação e prestação de serviços +

Aveiro | 01-OUT-2003
"O ensino superior continua a ser visto como uma despesa e não como um investimento". Palavras da reitora da Universidade de Aveiro (UA) ouvidas na abertura do ano lectivo +


Aveiro | 24-MAI-2003
Para Helena Nazaré, as recentes medidas governamentais anunciadas para melhorar a qualidade do ensino "revelam uma ausência de visão estratégica". E "não parecem traduzir senão uma redução cega do investimento no sector" +

Aveiro | 08-JUN-2002
Helena Nazaré alertou o ministro para a injusta penalização da UA na aplicação da fórmula de financiamento, que "compromete seriamente investimentos necessários". Aveiro apresenta o "maior desvio percentual" +

26.9.06

Caracol

Num momento de raro consenso, a vereação deu indicações seguras na última reunião do que poderá vir a ser a mascote da Câmara de Aveiro até ao fim do actual mandato.
Em mais uma intervenção crítica, o vereador do PS Marques Pereira lamentou a falta de empenho do executivo no Dia Sem Carros, ao contrário do que sucedia, na sua opinião, quando Alberto Souto era presidente.
Das actividades organizadas pela coligação, o socialista não reteve mais do que um caracol gigante insuflável no Rossio que, apesar de imóvel, considerou ser “um sprinter ao pé da mobilidade” da actual maioria.
A piada foi devolvida nos mesmos termos por Miguel Capão Filipe quando fez notar a ausência da oposição no debate sobre a mobilidade na Beira Mar. “O caracol chegou seguramente primeiro”, atirou. O vereador lembrou também a decisão camarária de, finalmente, colocar o centro coordenador de transportes a funcionar. Uma obra que “estava a passo de caracol” desde o tempo do PS.
O caracol, está visto, serve os interesses da maioria e oposição.

Vindimas

O amanhecer cobre de névoa as vinhas de S. Lourenço do Bairro, em Anadia, no coração da Bairrada, criando uma paisagem magnífica.
O aroma frutado que se espalha no ar indicia que as uvas estão maturadas, à espera que alguém lhes ponha as mãos.
As vindimas seguem a bom ritmo.
Os terrenos calcários e argilosos, as castas (onde a Baga ainda é raínha), e o saber fazer secular são a combinação perfeita para criar magníficos vinhos.

25.9.06

Responsabilidades

É uma lição que se apreende em poucas aulas.
Gerir organizações empresariais implica assumir responsabilidades. Com maior ou menor risco, bem ou mal ponderado, são os responsáveis que o devem fazer.
Mas quando as coisas dão para o torto e implicam correcções a rumos traçados ou mesmo mudanças drásticas, nem sempre são responsabilizados pelas opções erradas que tomaram.
E quem paga é invariavelmente o mexilhão.

21.9.06

D. António Marcelino

D. António Marcelino já tem sucessor. Após alguns meses de espera, o Vaticano preencheu a vaga criada por força do agora Bispo Emérito ter atingido o limite de idade.
D. António Marcelino tem sido ao longo do seu percurso de vida uma figura marcante na sociedade portuguesa.
Incómodo e inconformista, mesmo com a Igreja e as suas práticas, ainda hoje faz jus à reputação de progressista que em tempos mais recuados lhe valeram alguns olhares desconfiados.
Chegou a hora de passar o testemunho recebido de D. Manuel Almeida Trindade, outra personalidade que marcou o seu tempo.

20.9.06

Efeito Jardel

Há quanto tempo o Beira-Mar, mesmo que por interposta pessoa, não era capa inteira de A BOLA? Desde a conquista da Taça de Portugal, presumo eu. E mesmo aí, não estou certo de igual destaque ao que Jardel consegue (ainda) atrair.

Comércio tradicional

Hoje em dia, ter um estabelecimento comercial de que tipo for é uma aventura de alto risco.
Quem tem casas abertas, enfrenta concorrência como nunca se viu.
Nos últimos anos, multiplicaram-se por muitas vezes os centros comerciais, hipermercados e mini-preços. Estão em todo o lado, a poucos minutos.
Sempre que abre um novo espaço comercial de maiores dimensões , o comércio local abana.
E isso faz-se sentir com meses de antecedência. É o que está a acontecer em Ovar com a construção do Sportsforum.
Num caso que conheço, a abertura de uma loja de marca roupa para criança ditou a decisão de uma familiar fechar as portas do seu estabelecimento.
O comércio tradicional, dito de proximidade, tem uma função importante na comunidade, enquanto pequenos pólos de animação, evitando a desertificação dos centros mais antigos.
Em Aveiro, a vida de muitas ruas e praças depende das lojas.
Só que as dificuldades estão à vista. Há negócios a fechar todos os dias e são bem menos os que tentam a sua sorte.
Por isso, quando vejo outra amiga a remar contra a maré, dando colorindo a uma rua, que apesar de ser das mais típicas de Aveiro, está tomada por prédios envelecidos e a ameaçar ruína, só lhe posso desejar muita sorte (traduzida em clientes!) para que seja a excepção a uma triste regra.

17.9.06

Tradições

Vivemos numa região onde as tradições populares, apesar de ainda vivas, estão ameaçadas pelo esquecimento à medida que as gerações se renovam.
Quem assiste a um desfile etnográfico ou a uma desfolhada à antiga encontra nestas práticas ancestrais das gentes do campo algo que começa a rarear na nossa sociedade: alegria, boa vizinhança, entreajuda. Apesar de tudo, vê-se esperança. É um viver espontâneo, ao ritmo das estações do ano.
Alguns (cada vez menos) novos ainda aprendem dos velhos ensinamentos, que não sendo já úteis aos ofícios de hoje, não ficam perdidos ou reduzidos a práticas museológicas.
Foi isso que se tentou fazer, por exemplo, no estaleiro de construção naval artesanal da Murtosa.

15.9.06

Dívidas

Apesar do seu low profile, o vice-presidente da Câmara de Aveiro assume, ao contrário do líder do município, posições marcadamente políticas e, por vezes, até partidárias.
Carlos Santos voltou a escrever nos jornais. E faz bem.
Contra o que o próprio Élio Maia garantira, temos aí na praça pública a famosa auditoria. Números e comentários menos abonatórios para a gestão anterior vão sendo soltos. Agora até pela via mais oficial, de um elemento da Câmara.
Se o efeito pretendido é baixar o tom das críticas da oposição camarária, não sei se resultará.
De qualquer forma, é bom saber-se, exactamente, qual foi a herança deixada por Alberto Souto a troco do Euro 2004 que, vale a pena lembrar, não deixou ficar apenas as dívidas do estádio que todos os partidos aprovaram. O efeito promocional da cidade não teve preço.
Os socialistas devem guardar o escrito mais recente de Carlos Santos. Para aprenderem como não se deve gerir uma Câmara. Mas também porque no final do mandato vai ser útil. É que da forma como as autarquias são geridas neste País, o balanço a cada período eleitoral é sempre dominado pelas contas da coluna do passivo que, normalmente, vai crescendo. A argumentação da IGS agora usada ainda pode vir a ser útil para outro filme.

Escolas a tempo inteiro

As escolas agora querem-se a tempo inteiro com prologamentos de horários e actividades de enriquecimento curricular.
São as expressões que mais temas de conversa suscitam por estes dias de regresso às aulas com alguns papás e mamãs ainda mais nervosos do que os filhos que entram na escola pela primeira vez.
No meu tempo de primária, não existia nada disto. Era improvisado, com desvios pelos campos e brincadeira farta até chegar a casa. Os resultados pedagógicos seriam reduzidos, mas a escola da vida faz-se dessas e de muitas outras coisas extra-curriculares.
Os tempos mudaram. E o Governo PS quis pôr o País educativo a um ritmo supostamente mais evoluído e com crianças a falar inglês, antes mesmo de saberem a língua materna !
Querer é um bom princípio mas não basta. É necessário dinheiro para pagar os custos.
E o ministério da Educação parece dar pouco para o que vai receber.
Se não fossem as autarquias, os ATL´s públicos e privados, assim como os pais, não daria para o brilharete.
Os prolongamentos colocam a nu as grandes dificuldades de muitas escolas públicas, antigas e mais recentes, que não têm a capacidade de resposta que o desafio governamental coloca, por falta de condições físicas e humanas.
É o caso de uma das últimas a ser inaugurada em Aveiro. Quase não têm fundo de maneio para fotocópias (e são as crianças que levam papel), a cantinha funciona no laboratório com as refeições pré-cozinhadas no dia anterior e o acesso do portão até ao edifício ficou sem resguardo para a chuva, eventualmente por defeito de arquitectura.
O mais importante será, no entanto, arrancar com isto. Para que as crianças aprendam e nós estejamos descansados.

12.9.06

O que é que a Feira tem ?

O que atrai tanta gente a ir viver para Santa Maria da Feira , não tendo raízes familiares ou actividade profissional naquele concelho?
Conheço três casais nestas situações. Não trabalham, nem têm família por lá.
O bonito castelo merece uma visita mas não é motivo suficiente para escolher poiso.
Será pelo Europarque ? Talvez não.
O Imaginarium, o festival de cinema brasileiro do Cineclube e a Viagem Medieval talvez sejam argumentos mais fortes para quem leva em conta a vida cultural.
Não esquecer o hospital S. Sebastião.
Dizem-me, ainda, que os preços das casas são atractivos.
Acho, contudo, que as grandes vantagens residem, por um lado na sua localização central, e, por outro, nos acessos rodoviários (com um nó da A1 em plena cidade e o IC1 também à mão).
Perto de Aveiro, mais perto do Porto e a meio caminho de outros tantos destinos regionais.